Recomendamos: Veredevere, de Guilherme e Bastardo

Veredevere, dVeredevere Guilherme e Bastardoe Guilherme e Bastardo, é un libro de 56 páxinas e CD con 12 temas, publicado por Axóuxere. Ten un prólogo de Teresa Moure e deseños de Séchu Sende.

“Este é o primeiro traballo de Guilherme e Bastardo, unha banda por definición heterodoxa e cuxo pulo fundacional é a hibridación de linguaxes e estilos, mais, por riba de todo, Veredevere é unha travesía utópica desde a música, a literatura e a visualidade, que integra o traballo de moitas persoas procedentes de diferentes ámbitos e se sintetiza nun fermoso libro-obxecto de feitura artesanal, con cuberta serigrafiada, e un cd de músicas que percorre ámbitos tan amplos como extensa é a viaxe que a súa escoita propicia.
No libro-cd poderedes atopar, alén das músicas e textos de Guilherme e Bastardo —que navegan entre o canto tradicional revisitado, a world music, o postpunk e a electrónica libertaria—, as colaboracións de Séchu Sende, Teresa Moure, Najla Shami, Mig Seoane e outr@s moit@s que fixeron parte desta común singradura, asi como as palabras musicadas de, Raida Rodríguez, Xelís de Toro, Márcio-André, Álvaro Cunqueiro, Celso Emilio Ferreiro ou Arthur Rimbaud.”

Aquí podedes escoitar a súa música no Soundcloud.

Presentación de Politicamente incorreta e Eu violei o lobo feroz, de Teresa Moure, o 18 de xuño

A cuarta feira, mércores, 18 de xuño, ás 20:00 horas, na Biblioteca da Asociación de Veciñ@s Atochas-Monte Alto (Campo de Marte, s/n), en colaboración con esta Libraría, Teresa Moure presenta Politicamente incorreta. Ensaios para um tempo de pressas e Eu violei o lobo feroz, publicados en Através Editora. No acto, xunto á autora, participa Ramiro Torres.

Eu violei o Lobo Feroz é o primeiro livro de poemas de Teresa Moure. Uma singular Capuchinho Vermelho reconstrói e constrói a sua historia e identidade através de confissões quando é retida por terrorismo ecológico.

Este livro, que ainda não é,
nasce duma ferida
comprida e profunda,
duma fenda escura e húmida
nos calabouços duma prisão do estado
repressor.

Este livro, que ainda não é,
nasce duma ferida palpitante,
da dor imensa de ver-me desamparada
logo de tantas ideias libertadoras
que pulam, aí onde estais, fora destes muros,
nas ruas, nos antros mal ventilados
que não se conformam com o ar assético da democracia

Mas, sobretudo, este livro
nasce duma ferida
carnosa e suave
que ciclicamente sangra
e que levo aberta
entre as pernas.

Uma mulher é politicamente incorreta quando diz o que não se espera dela e, ainda mais, quando pronuncia uma verdade não admitida pela opinião pública, pelo felizmente acordado no consenso social. Se alguém −é apenas um exemplo− insinuar que os poderes eleitos nem sempre nos representam ou que é preciso dedicar-se a sabotar as instituições, ou confiscar as igrejas para torná-las centros sociais, adota uma atitude subversiva que não encaixa no relato admitido pelos meios de in-comunicação. Nessa atitude rebelde lateja o desacato: para o modelo conservador, com as suas hierarquias e os seus interesses inconfessáveis, mas também para os pensamentos supostamente avançados, que se conformam com pôr remendos a um mundo que deve ser reduzido a cinzas. A politicamente incorreta é pessoa incómoda, pode assumir-se. Se atuar assim, desta maneira selvagem e provocadora, é porque acha um prazer inusitado em meter o dedo no olho a quem enunciar verdades que devem ser aceites e repetidas até a saciedade numa realidade em perpétuo fluxo. Esse prazer, como todos, é dissidente. Ameaça. Procura exercer uma crítica radical contra o poder. Procura algo mais formoso do que o poder: a autenticidade.