Podería falar de nubes, de Francisco Castiñeira

Continuamos coas colaboracións de lectores, cunha nova suxestión de Ramiro Torres.

Podería falar de nubes é um bem interessante livro de relatos de Francisco Castiñeira, a quem se pode seguir no seu blogue Chove en ningures.
O livro, publicado em Redelibros, aporta muita frescura ao leitor, algo assim como um caleidoscópio tingido por essa forte imaginação do autor onde logra surpreender-nos com as histórias tecidas segundo os princípios clássicos dos relatos -lograr manter a atenção e deitar, no fim dos mesmos, uma outra olhada que obriga a reconsiderar o lido, e mesmo grande parte das nossas convenções-.
Escritos com bom ritmo, obrigando a não soltar o livro até rematar cada parte, deixam a certeza de estarmos ante um autor com bom ofício narrativo, capaz de abordar diversas perspectivas sem perder nunca o interesse para quem participa desta leitura como acto de intensidade espalhada sabiamente nas suas quase 200 páginas.
Parabéns, Francisco, por esta pequena incursão no maravilhoso quotidiano, que permite aparecer na sua grande luminosidade o mistério da escrita como metáfora da própria vida.”

Na lingua que eu falo, de Najla Shami

Continuamos coas colaboracións de lectores, cunha nova suxestión de Ramiro Torres.

Na lingua que eu falo é uma brilhante actualização da obra rosaliana. O que a magnífica música e cantante, Najla Shami, acompanhada por grandes talentos e artistas contemporâneos -Pedro Pascual, Paulo Silva, Sérgio Tannus, etc.-, tentou foi trazer para o nosso tempo o mesmo fogo criador que Rosalía tivera na sua escrita, e devolver-lhe o sentido originário ao trabalho poético, ao uni-lo numa mesma intensidade com a música. É por isso que a quem isto escreve lhe semelha não só uma iniciativa de homenagem a Rosalía, mas uma obra nova, marcada por esta esplêndida sensibilidade que permite realizar, por cima de 150 anos, um diálogo natural e pleno. Não quero deixar passar a ocasião para assinalar outra vertente mais deste livro, a beleza indiscutível das fotografias, aumentando essa percepção multiartística no/a leitor/a: um gozo que perdura e ressoa no interior de nós.

E, se mo permitem, não quero deixar passar este momento para dialogar com este work in progress através deste poema (e animo a quem estiver lendo isto a que faga o próprio com o que melhor sinta: a beleza nunca deve descansar na sua faceta de nos tornar mais plenos como seres humanos).

NA LÍNGUA QUE EU FALO

Para Najla Shami e Xurxo Nóvoa Martins,
obrigado por esta densa beleza.

Uma raiz sem pálpebras
cresce no cimo do tempo
como sopro de música:
o poema transmuta-se em
árvore na brancura dos sons,
achegando-nos arquipélagos
mergulhados no invisível
a estourar sobre nós como
pétalas de fulgor arcano.
As palavras sussurram
o equador da desnudez
na cálida penumbra da voz,
ordenam o mundo num
equilíbrio ressoante entre
as vértebras da língua,
brilhando no adentro
como estrela a respirar
sem fim no meio da luz.”

No balouçar do vento, de Antom Laia

Novamente damos paso aos envíos de clientes e leitor@s. Desta volta, a recomendación é de Ramiro. Se queres, podes enviarnos o que che consideres interesante para publicar aquí ao noso correo: libreriasisargas@gmail.com.

No balouçar do vento, de Antom Laia, é o primeiro livro de poemas deste autor melidao, publicado por ele mesmo junto às ilustrações de Xosé Tomás.
Chama poderosamente a atenção o diálogo plástico-literário poeta e ilustrador, junto a uma intensidade do dizer poético que reúne os vários caminhos de um tema principal: o amor, tratado desde dentro, com a força visceral de um incêndio permanente na palavra transmutada em catalisador de vida e conhecimento.
Este rio atravessa o poemário inteiro, acolhendo barcos cinzentos habitados por uma melancolia próxima das viagens no interior do tempo, mas destacando sempre a pulsão erótica que torna o livro em abraço exaltado da natureza e os corpos, na concepção libertadora que o amor como estrutura fundamental da consciência humana e universal deixou no fundo do poeta, comunicado em formas clássicas (sonetos, sobretudo), postas a disposição da sua fulcral necessidade de expressão.
Saudamos, pois, a chegada de Antom Laia à edição do seu trabalho, e desejamos que prossiga as suas andanças neste território em ebulição que vem sendo a escrita poética.
E, se mo permitem, vai este poema meu feito em diálogo com esta obra (não todo vai ser prosa neste comentário):

Para Antom e Teresa.

Os amantes percorrem
o denso interior da luz,
copulam na vertigem
líquida do tempo estourado,
atravessam o mundo com
a sua vidência vermelha,
atraindo para si o furor de
toda a criação descoberta
nos seus corpos candentes,
plenos de uma exaltação
maravilhada, convertida
a sua morada em ardora
afluída desde o grito infinito
sobre a espuma derramada
como um incêndio branco no
coito entre as palavras e o sol.

Junho de 2013.”

A noiva e o navio, de Susana Sánchez Arins

Volvemos dar paso aos envíos de clientes e leitor@s. Desta volta, a recomendación é de Ramiro, a quen agradecemos novamente a colaboración. Se queres, podes enviarnos o que che consideres interesante para publicar aquí ao noso correo: libreriasisargas@gmail.com.

A noiva e o navio, de Susana Sánchez Arins, publicado por Através Editora, propõe uma viagem fresca e potente na imaginaria e a realidade do amor, vivenciado como espaço libertador, longe de todos os cânones, com uma autêntica regalia de linguagem marinheira. Um fica nas mãos com um estranho e denso sabor salgado, depois de visitar os espaços do conhecimento, do erotismo, da visão esplendente do verso como fogo onde se (re)criam mundos, com toda a carga de inteligência e paixão que, como mulher, ajuda a reconstruir e reconstituir a realidade, num labor de sega imprescindível.
Gosta este leitor dessas interseções com o passado, na peneira releitora de tudo o que antecedeu a escrita e a vida, convertendo o livro em diálogo amplo e criativo. Parabéns a Susana e obrigado por essa constância na escrita e nas aventuras poéticas que nos tem fornecido ((de)construçom e Aquiltadas).
Vai também este poema-diálogo com o livro, como uma outra leitura do mesmo:

Cantamos a viagem
dos corpos magnéticos
criados neste mar recém
nascido desde sempre,
jazemos no fulgor do poema,
estranhos ao tempo,
enquanto as palavras
copulam, ascendentes:
descobrimo-nos como
amantes a construir
embarcações no início
de nós, habitando
um vazio em brasa
onde conhecemos
a convulsão do abraço
em que se devasta o
escuro e nos perdemos
na inominação deste
navio que nos atravessa.”

Onde o mundo se chama Celso Emilio Ferreiro, de Ramón Nicolás

Volvemos dar paso aos envíos de quen son para nós o máis importante desta Librería, os clientes. Desta volta, a recomendación é de Ramiro, a quen agradecemos a colaboración. Se queres, podes enviarnos o que che consideres interesante para publicar aquí ao noso correo: libreriasisargas@gmail.com.

“A Onde o mundo se chama Celso Emilio Ferreiro, de Ramón Nicolás, publicado em Xerais no 2012, acheguei-me com curiosidade por ler mais sobre o biografado, como é costume neste tipo de textos, mas acabei sentindo-me transportado por um savoir faire do biografante (aguardo que se me permita o neologismo), cousa não tão habitual, até uma sensação de ter estado presente na própria vida de Celso Emilio.
Há algo nesta obra que nos leva a não soltá-la das mãos facilmente. E não se trata só do rigor nos dados, onde se percebe uma erudição bem trabalhada e acaidamente exposta, mas de uma delicada atenção para os detalhes, com incisões em momentos chave da vida do celanovês convertidas em delicadas peças quase literárias que nos afastam do caminho principal dos acontecimentos e permitem recriar o seu mundo interno.
Brilha bem este trabalho, e deixa um grande sabor na boca e na memória o que vem sendo uma das melhores biografias lidas por este leitor. Parabéns ao seu autor!!!”

Admirando a condición, de María Xosé Silvar, Sés

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“Como um meteoro musical aparece Sés, neste seu disco Admirando a condición. Força em estado puro, com uma voz inebriada que entra em osmose livre e fascinante com a música de Tito Calviño e demais companheiros de viagem. Não se devem deixar de apalpar estes relâmpagos sonoros para manter-se vivo, quentando a sensibilidade com este licor denso e saboroso.”