Na lingua que eu falo, de Najla Shami

Continuamos coas colaboracións de lectores, cunha nova suxestión de Ramiro Torres.

Na lingua que eu falo é uma brilhante actualização da obra rosaliana. O que a magnífica música e cantante, Najla Shami, acompanhada por grandes talentos e artistas contemporâneos -Pedro Pascual, Paulo Silva, Sérgio Tannus, etc.-, tentou foi trazer para o nosso tempo o mesmo fogo criador que Rosalía tivera na sua escrita, e devolver-lhe o sentido originário ao trabalho poético, ao uni-lo numa mesma intensidade com a música. É por isso que a quem isto escreve lhe semelha não só uma iniciativa de homenagem a Rosalía, mas uma obra nova, marcada por esta esplêndida sensibilidade que permite realizar, por cima de 150 anos, um diálogo natural e pleno. Não quero deixar passar a ocasião para assinalar outra vertente mais deste livro, a beleza indiscutível das fotografias, aumentando essa percepção multiartística no/a leitor/a: um gozo que perdura e ressoa no interior de nós.

E, se mo permitem, não quero deixar passar este momento para dialogar com este work in progress através deste poema (e animo a quem estiver lendo isto a que faga o próprio com o que melhor sinta: a beleza nunca deve descansar na sua faceta de nos tornar mais plenos como seres humanos).

NA LÍNGUA QUE EU FALO

Para Najla Shami e Xurxo Nóvoa Martins,
obrigado por esta densa beleza.

Uma raiz sem pálpebras
cresce no cimo do tempo
como sopro de música:
o poema transmuta-se em
árvore na brancura dos sons,
achegando-nos arquipélagos
mergulhados no invisível
a estourar sobre nós como
pétalas de fulgor arcano.
As palavras sussurram
o equador da desnudez
na cálida penumbra da voz,
ordenam o mundo num
equilíbrio ressoante entre
as vértebras da língua,
brilhando no adentro
como estrela a respirar
sem fim no meio da luz.”

Un chapeu negro e un nariz de pallaso, sobre Roberto Vidal Bolaño

A figura de Roberto Vidal Bolaño é ben analizada neste libro-DVD, Un chapeu negro e un nariz de pallaso, ensaio de Montse Pena Presas acompañado por un vídeo de Gonzalo Enríquez Veloso, publicado por Galaxia. Aquí queda este petisco: